Monday, August 08, 2005

Granero

A partir de hoje, este blog atende em novo endereço. No Apostos, onde estão o Alto Volta, o Farsante, o Márcio Guilherme, o Naïf Gendarme e o Rinoceronte - além deste Passa o Sal. Vejo vocês lá!

Thursday, August 04, 2005

Impeachment tanto faz

Na Veja desta semana o Diogo Mainardi pede o impeachment do Lula. Diz que só a saída do presidente pode resolver a crise da corrupção brasileira e melhorar o país. O Mainardi realmente pensa isso? É impossível saber. Mas é muita ingenuidade achar que o impeachment do presidente é a panacéia para a corrupção e roubalheira endêmicas. A desonestidade, a apropriação criminosa e desavergonhada de fundos públicos para fins privados, o uso do poder político para ganhos financeiros, o desrespeito aos eleitores e contribuintes - enfim, tudo o que define a imoralidade da política brasileira - são aspectos arraigados na cultura política do país. Vêm dos privilégios das sesmarias, da casa grande e das senzalas, da república do café-com-leite, do paternalismo estatista de Getúlio Vargas, do Estado todo-poderoso dos militares. Essa mentalidade não é privilégio do PT ou do presidente. Está disseminada em todos os níveis do governo, do gabinete da Casa Civil ao almoxarifado.

O problema de ejetar o presidente é que, como nos tempos do Collor, a população vai ficar com uma sensação enganosa, porém prazerosa, de dever cumprido. A catarse coletiva do processo de impeachment dá a impressão de que "medidas foram tomadas", "culpados foram punidos", "situações foram transformadas" - até mesmo pelo caráter drástico da medida.
Só que, como no romance e filme O Leopardo, aqui também "é preciso que tudo mude para que tudo fique como está". Será ótimo para os grandes e pequenos beneficiários da corrupção institucionalizada do país que o Lula saia, o PT "se ferre" e o povo seja saciado com mais um espetáculo de pão e circo. Os brasileiros vão achar que a justiça foi feita, e a roubalheira vai continuar com mais tranqüilidade. Seja nas mãos dos mesmos ladrões de sempre, antigos donos do poder, seja nas mãos dos recém-chegados e novos-corruptos.

Apenas uma coisa boa pode sair deste escândalo corrente: uma mudança de base. De mentalidade. Uma transformação que penetre em todos os poros da sociedade brasileira, a tal da "microfísica do poder" de que fala Michel Foucault. Uma "operação mãos limpas" generalizada em que, em vez de concentrar os nossos ódios e frustrações numa figura só (ou num punhado de figuras), possamos compreender o tamanho verdadeiro do problema - e a responsabilidade pública de cada um de nós.

Essa é a verdadeira revolução, o único caminho para um país mais justo. E se essa visão utópica se concretizar, não vai fazer diferença se teve ou não teve impeachment, se o Lula saiu ou se foi reeleito. Pois descarregar todo o peso do escândalo na figura do presidente é, além de inútil e ingênuo, uma atitude tão comodista quanto a dos indivíduos alemães que culparam Hitler pelos atos criminosos que cada um deles cometeu.

Sunday, July 17, 2005

Pausa

Agora que o blog está sem gripe, novamente lépido e saltitante, vai viajar. Sim! Férias! Até o dia 3 de agosto. Até lá, vocês podem encontrar o sal, a canela, o alecrim e outros sabores excelentes nos endereços aí do cardápio lateral. Dia 3 eu volto.

Ufa!

O blog sarou! E agradece com afeto a todas as mensagens de melhoras...

Tuesday, July 12, 2005

Atchim!

Este blog está resfriado. Por isso, tudo o que o blog está conseguindo publicar são espirros. Assim que o blog melhorar, o sal volta a circular. Passa o lencinho de papel, por favor?

Friday, July 08, 2005

Borrowed object - 3

"Estou começando a achar que estou ultrapassada, deve ser o isolamento. Uma vez, contei a um leitor curioso que havia tido um bebê de um homem que, por engano, pensei ser o amor da minha vida. Ele ficou estupefato. Não podia acreditar que alguém ainda priorizasse essas coisas e não a vida pessoal e a carreira. Disse-me que sou antiga. É verdade mesmo? O mundo moderno é assim?Priorizar, priorizar, bah. Fiquei imaginando as mulheres priorizando carreiras e grana e deixando essas coisinhas lindas que são os homens passarem despercebidos. E, dêem-me notícias, mandem garrafas com bilhetes para minha ilha, o que houve com aquela maravilha chamada amor?"

Este texto eu peguei emprestado das Cartas para o Juca. É que eu fiquei tão feliz que a Andréa criou um blog. Eu já estava me pegando afoita, checando o Digestivo Cultural desde a coluna dela sobre blogs, esperando em jejum e ansiosa por mais textos (finalmente chegou a nova coluna, aliás). Que bom ler a Andréa mais vezes por semana. Eu sou fã dela, mesmo, e não é só porque ela pôs meu blog lá, tão gentil, na barra lateral.

Borrowed object - 2

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Contemple a mais perfeita flor-de-laranjeira, em que em vez de pétalas comuns há gomos e sementes. Esta flor sumarosa é criação da Helana, gentilmente cedida a este blog por ocasião de umas conversas cítricas de um post abaixo (Isso aqui ôo...).

Borrowed object - 1

Este eu vi no site da Lena: um teste de personalidade para descobrir "que bom filme é você". Eu sou um dos meus filmes preferidos:






Você é "O sétimo selo" de Ingmar Bergman. Você é intelectual, preocupado com ocultismos. E além de tudo é um mistério!!

Faça você também Que
bom filme é você?
Uma criação deO
Mundo Insano da Abyssinia


(Para descobrir que filme é a Lena, visite O Estranho Mundo dela.)

Thursday, July 07, 2005

A mentalidade servil

Hoje, Londres é o nosso mundo. Não sei o que vocês pensam, mas não consigo conceber motivo nenhum que justifique o assassinato em massa e planejado de pessoas inocentes. Não adianta dizer que deus mandou, que é retaliação, ou que é a única arma de que dispõem certos povos “oprimidos”.
Quando os aviões derrubaram as torres gêmeas, o compositor alemão Stockhausen soltou aquela pérola de que os terroristas da Al Qaeda teriam criado a maior obra de arte do novo século. Embora muita gente não tenha ido tão longe, eu senti em muitos círculos – a saber, círculos de esquerda no Brasil e na Alemanha – uma frieza, uma falta de empatia, uma quase-aprovação tácita. Ou mais: ouvi gente soltando um “bem feito!”, “they had it coming”, e explicando o terrorismo como resultado merecido e natural da política norte-americana.
É o mesmo tipo de gente que veste o lenço palestino em solidariedade – uma solidariedade tão beligerante e raivosa que me parece muito menos voltada ao pleito real da população palestina do que movida por ódio a Israel.
Grassa a forma mais rasa de “consciência política” entre certos setores de esquerda: anti-americanismo, anti-imperialismo, anti-globalização, anti-bush, anti-israel, anti-capital, anti-tudo. É um perigo definir-se politicamente em termos negativos e reativos. Nietzsche foi quem alertou com o maior brilhantismo para o perigo do ressentimento, das forças que, em vez de afirmar a própria vontade criativa e vital, definem-se apenas como reação contrária e destrutiva a outras forças existentes. É o que ele chama de mentalidade do escravo. Há escravos coroados reis e donos de grandes feudos – nem por isso deixam de ser servis.
E quais são os perigos desta onda anti-tudo? Em primeiro lugar, há um severo caso de dois pesos, duas medidas. Os pretensos humanitários que se compadecem dos palestinos, iraquianos e afegães não mostram nem um centésimo da mesma compaixão pelos israelenses ou norte-americanos vítimas de atentados terroristas. Embora várias ONGs tenham pressionado tribunais internacionais para definir terrorismo como crime de guerra – tendo em mente os freqüentes ataques suicidas no Oriente Médio – até hoje este tipo de ataque sujo a civis inocentes é visto por muita gente (por governos esclarecidos, inclusive) como recurso legítimo de um povo desesperado. Ora, essa é uma visão preguiçosa e hipócrita – preguiçosa porque não se esforça para achar uma terceira, quarta ou quinta alternativa que possa solucionar o conflito sem violência; e hipócrita porque esconde ódios ancestrais sob a capa da solidariedade. O apoio aos palestinos – um povo tratado como pária por todos os países do Oriente Médio, para quem o resto do mundo nunca ligou a não ser como arma anti-Israel – é muito menos uma ação afirmativa e construtiva pela Palestina do que uma ação destrutiva e negativa contra Israel. Afinal, antes de 1948, e por nada menos que um milênio, eram os judeus o povo sem nação e sem direitos, expulsos de seu território e constantemente enxotados das terras alheias. E por acaso um tal pleito tem prazo de vencimento?
O segundo problema da onda anti-tudo são as alianças peçonhentas entre grupos que têm apenas uma coisa em comum: o ódio aos Estados Unidos e a tudo o que associam com o país, como capitalismo internacional e Israel. É dessa identificação traiçoeira que surge a inesperada simpatia de certos grupos de esquerda pelos atos da Al Qaeda. Vale tudo, desde que seja para destruir o inimigo.
Então o terrorismo em Londres acaba visto como uma extensão contínua e drástica dos protestos anti-globalização organizados por conta do encontro do G-8. Só que, enquanto os anti-globalização lutam por justiça social, melhor distribuição de riquezas e fim da pobreza e exploração – causas, aliás, com as quais concordo –, os terroristas lutam para exterminar tudo o que seja diferente de sua visão de mundo e para transformar o globo em um Talebã gigante. Quer falar em globalização agressiva? Então assista ao filme Guerra e Paz (2002), de Anand Patwardhan, e preste atenção no trecho em que um paquistanês muçulmano radical mostra o seu mapa-múndi. O mapa mostra os contornos dos continentes e oceanos, sem divisão de países. Está tudo pintado de uma cor só. A legenda? Islã. É tudo Islã. Não o Islã tolerante, aberto e piedoso da cultura mourisca ou de algumas belas passagens do Alcorão, mas o Islã repressor e punitivo em que o único texto permitido é uma versão cruel do Corão, em que mulher só anda coberta dos pés à cabeça (aliás, andar, não anda, fica em casa, junto com as demais esposas do marido), em que há censura e falta liberdade. Um mundo em que – a julgar dos exemplos atuais – a maior parte da população vive numa miséria desgraçada, onde a depauperação predispõe à doutrinação dogmática, enquanto a classe dirigente leva vida de Nababo. Querer transformar o mundo todo nisso é que é globalização imperialista.
Não dá para falar seriamente do terrorismo contemporâneo sem investigar as ramificações mais profundas. É claro que muita gente de esquerda condena violência e está chocada com os ataques em Londres. Mas não adianta derramar lágrimas de réptil e continuar alimentando ódios sem razão sob a capa da “justiça social”.
A sinergia entre o terrorismo islâmico e os movimentos de esquerda ou anti-globalização (sinergia que não é de hoje, aliás; já na década de 70 as mocinhas esquerdistas nas duas Alemanhas usavam lenço palestino para protestar contra Israel) talvez esteja ainda em estágio nascente. Por isso mesmo é bom que seja abordada com honestidade neste momento. A história mostra que tais alianças estratégicas nunca acabam bem: Stalin apertou as mãos de Hitler e acabou atacado; os Estados Unidos treinaram e patrocinaram Osama bin Laden na Guerra do Afeganistão duas décadas antes do 11 de setembro.
Em terceiro lugar, o perigo dos movimentos anti-globalização é cair num nacionalismo xenófobo, patrioteiro e bairrista, e num arcaísmo nostálgico que abrange não apenas a economia e a política, como também cultura e tecnologia. No século 19, houve também quem acusasse o capitalismo industrial e seus males (de fábricas a grandes cidades) como coisa do demo, e defendesse o retorno a um modo de vida rural, simples, de manufatura e pequenas vilazinhas. Esses anti-capitalistas esqueciam não apenas da opressão e imobilidade social pré-capitalistas, como também das limitações tecnológicas que causavam epidemias de fome, de doença, vulnerabilidade a desastres naturais, dificuldade de comunicação e transporte, etc. Ser anti-globalização é querer jogar o bebê fora junto com a água da banheira. A questão não é ser contra a globalização (termo, aliás, que apesar de repetido e gasto como o pior dos clichês, em geral é muito mal-compreendido). A questão é: como fazer da globalização um sistema mais justo, equânime e inclusivo.
Voltando a Londres: o terrorismo cosmopolita, ubíquo e transnacional da Al Qaeda é o maior exemplo de globalização bem-sucedida. Contas em bancos europeus, transferência de capital e recursos, representantes que residem em países estrangeiros onde conseguem se integrar e organizar filiais, comunicação secreta e imediata à distância, e uso de armas poderosas em que a tecnologia contemporânea (aviões ou metrôs) facilita os objetivos: gente, eu poderia estar falando de uma companhia multinacional qualquer aqui.
Enquanto as pessoas que se dizem interessadas num mundo mais justo não pararem com birrinhas ressentidas como esta, o mundo livre e globalizado continuará desunido e vulnerável. E mais ataques como o de hoje vão se repetir.

Nota: para quem está se perguntando sobre a minha orientação política, leia aqui.

Wednesday, July 06, 2005

Voar é apertar os cintos

Agora é assim: a gente vai pegar o avião e, em vez de ter uma moça no balcão para emitir o cartão de embarque e despachar a mala, é tudo self-service. Se eu quiser comprar passagem pelo telefone em vez de usar o sistema automático online, tenho de pagar taxa extra. Em vôo curto e médio, não há mais lanchinho - somente refeições à venda. Outro dia peguei um avião, um vôo de cinco horas, e não tinha foninho de ouvido - quer dizer, ter, tinha, mas para ser comprado por cinco dólares. Achei um absurdo, até pegar um outro vôo um mês depois em que o foninho de ouvido custava cinco dólares não para ser comprado, mas para ser alugado. Alugado! Também já voei em companhias que pedem que os passageiros limpem suas próprias poltronas ao sair, ou onde não há assento marcado e todo mundo se aglomera no portão de embarque como uns vikings famintos. Meu vôo mais recente, apesar de internacional, não foi diferente. Em vez de telas espalhadas em todas as fileiras (veja bem, não estou nem pedindo telas de vídeo individuais em cada assento), havia só umas parcas telinhas centrais. Para ver o filme, enviesado na minha lateral, eu precisaria de um periscópio. A comida chegou. Até eu, que tenho apetite bem menor que a média, achei a porção mirrada. Enquanto eu mastigava o suposto bolo de chocolate - mais precisamente, um bloco esponjoso marrom cuja insipidez surpreendente me fez pensar no cardápio de 1984 (o livro) - eu meditei sobre as agruras financeiras que têm forçado as companhias aéreas a um corte tão brutal de custos, mesmo com os preços das passagens subindo nos últimos anos. Coitadas! Pois aqui vão algumas sugestões para que as pobres aerolinhas consigam enxugar ainda mais seus orçamentos:

1. Banheiro gratuito é um desperdício de água e papel higiênico. Em vez disso, que façam como os banheiros públicos alemães, em que se entra após depositar o pagamento em moeda. Cada vez que você for usar o toalete do avião, pague. Dá direito a uma descarga e quatro quadradinhos de papel higiênico - ou mais, mediante pagamento extra.

2. Assim como foninhos de ouvido, outras coisas gratuitas no avião não passam de mimos desnecessários. É que estamos mal-acostumados - afinal, no passado achávamos normal receber uma necessaire com pasta-de-dente, escova, pente, meinha, mesmo na classe econômica; hoje em dia, ninguém espera isso. Então que folga é essa de esperar travesseiro e cobertor? Ah, e copo, talheres e prato??? Pois que cada passageiro traga seu kit-refeição (de plástico inofensivo, claro), coberta e almofada.

3. Já que estamos falando nisso, as companhias poderiam economizar muito se as poltronas fossem feitas apenas da estrutura metálica básica. Assim como num concerto ao ar livre cada um traz sua cadeira dobrável ou colcha, os passageiros ficariam responsáveis por seu conforto, trazendo almofadas para acolchoar a própria poltrona.

4. Comida. Gente, eu cheguei a comer salmão defumado, molho de funghi e torta-mousse em certos vôos de antanho (classe turística, viu?). Hoje a coisa é mais básica. Mas, convenhamos, mesmo assim ainda é muito exagero servir uma refeição inteira, balanceada, composta de salada, prato principal (com proteína e carboidrato), sobremesa e pãozinho do lado. Voar é apertar os cintos. A partir de agora, a refeição aérea deveria ser só miojo. Você pode escolher se quer o seu no sabor "frango", "carne" ou "oriental". Miojo, miojo, miojo. Ah, e sobremesa é coisa de fresco.

5. Por outro lado, as companhias estão bobeando com essa coisa de deixar cada um trazer a comida e a bebida que quiser. Ué, restaurante não cobra "rolha" se você quiser trazer uma garrafa de vinho comprada em outro lugar para consumir com a refeição? Então, nos aviões, poderiam cobrar rolha para aqueles que, como eu, carregam sempre sua própria garrafa de água mineral.

6. As companhias aéreas já tentam ganhar um dinheirinho com a venda de produtos duty free durante o vôo. Mas eu nunca vejo ninguém comprando aquelas coisas, sempre uns produtos estrambólicos e supérfluos como massageador de unhas do pé ou árvore de natal artificial prateada. Seria mais lucrativo oferecer algo mais barato, que mais pessoas desejem, e ao mesmo tempo que custe menos à companhia aérea - como um serviço prestado pelas aeromoças, por exemplo. Que tal instituir correio-elegante? Imagine que ótima distração a bordo, você paga uns trocadinhos e o comissário entrega um bilhetinho para o loiro bonito da poltrona 23G. Os comissários também poderiam fazer telegramas cantados. Um deles poderia ser o fotógrafo oficial - sabe, como nos parques de antigamente, quando as pessoas não tinham câmara em casa e iam ao Jardim da Luz tirar retrato? Então, o comissário sairia pelos corredores oferecendo registro em Polaroid dos passageiros a preços módicos.

7. Finalmente: o mercado para passageiros de classe turística tem aumentado, enquanto classes superiores estão diminuindo (algumas linhas já cancelaram a business class). A chave aqui é conseguir maximizar o potencial de cada uma dessas classes: enfiar o maior número de pessoas que só podem pagar a passagem básica no avião; e extrair o máximo de dinheiro possível daqueles que podem arcar com a primeira classe. Para isso, o avião poderia simplesmente ser dividido em duas zonas: a zona favela, e a zona Daslu. Na zona favela, ocupando 30% da área para passageiros, vai todo mundo amontoado, o esgoto do toalete corre a céu aberto e cada um que se vire para comer. Já a zona Daslu é tão grande e labiríntica que há trinta guias, oops, "guides" só para levar o passageiro ao local certo.

Ou então a gente pode sonhar com um futuro mediado por químicos como n'O Admirável Mundo Novo: em vez do Soma, tomaríamos um sedativo antes de entrar no avião, onde seríamos cuidadosamente armazenados em prateleiras (imagina quanta gente caberia!). Passaríamos o vôo inteiro em sono profundo e sem sonhos. Acordaríamos no dia seguinte, na sala de desembarque, para pegar as nossas malas. Esta última sugestão eu devo a um brainstorming que fiz uma vez, há muitos anos, um pouco alucinada pela exaustão, com meu desconhecido vizinho de poltrona num vôo internacional.